Opinião: A reputação do capitalismo

Publicado originalmente em: Estudantes pela Liberdade do RJ | 15 de Março de 2014.
Por EPL/RJ.

DAVID EDUARDO LUZETTI FILHO*

“O caráter é como uma árvore e a reputação como sua sombra. A sombra é o que nós pensamos dela; a árvore é a coisa real” (Abraham Lincoln).

O que é capitalismo? Não siga lendo este artigo sem antes pensar sobre esta pergunta. Afinal, é justamente sobre as falsas imagens geradas e coladas nele que será tratado aqui.

Várias são as concepções dadas por diversas pessoas sobre capitalismo. O império das opiniões encontra afagos quando o assunto é este regime econômico. Nota-se que a reputação do capitalismo não está adequada à realidade. A frase de Abraham Lincoln, citada acima, deve causar em todos aqueles que proferem afirmações sobre o capitalismo o seguinte pensamento: tudo o que tenho dito em meus discursos corresponde à sombra ou à árvore? Mais uma vez, o filósofo Platão encontra sucesso em sua teoria da caverna ao dizer que se faz necessário sair da escuridão, das sombras, para que se encontre o bem, a justiça e a verdade e contemplá-los como são de fato e não o que lhe parece ser.

Eis alguns dos sinônimos proliferados acerca deste tema: exploração, interesse, escravidão, ganância, ambição, egoísmo. A culpa de tudo isso? O capitalismo. O problema do mal não existe para os inimigos do capital, pois já desvendaram sua origem: é o CAPETAlismo. Serão mesmo adequadas tais definições ao capitalismo? Será que todos estes males encontram sua origem na economia? Se sim, deve-se provar que nos governos ditos não-capitalistas não houve nada disso. A história prova bem o contrário.

Afinal de contas, o que é capitalismo? Como bem demonstra Ludwig Von Mises, egrégio economista da escola austríaca, em seu livro “As seis lições” (recomendo vivamente!), é um sistema econômico que proporciona a todas as pessoas a possibilidade de mudarem o próprio status. Isso merece contextualização: antes da revolução industrial, a sociedade era dividida por status, ou seja, quem nascia nobre, morria nobre; quem nascia pobre, pobre morria. Não havia possibilidade alguma de ascensão social. Os artesões fabricavam artigos para as camadas elevadas da sociedade. Não havia produção em massa. A revolução industrial trouxe a produção em massa, como todos sabem. Contudo, infelizmente, precisa-se demonstrar o óbvio: se a produção era em massa, essa produção agrada a quem? Os nobres? As elites? Os poucos privilegiados? Claro que não! A produção em massa trouxe produtos para a própria massa. Com efeito, as classes baixas das sociedades capitalistas vivem com muito mais conforto que os próprios nobres medievais.

E a miséria? Não seria o capitalismo, justamente, a patrocinadora do capitalismo? Ilude-se quem pensa que a miséria acabou, contudo, diante de tudo o que foi exposto, a conclusão que se deve necessariamente chegar é que nos lugares que não houve desenvolvimento, a liberdade econômica (leia-se: o capitalismo) não aconteceu eficazmente. Conclui errado, portanto, aqueles que pensam o capitalismo favorecer a miséria.

Diante disso, o leitor pode se perguntar: qual é a origem, então, dessa má reputação do capitalismo? Sem hesitar, podemos colocar como marco deste atentado intelectual Karl Marx (1818 – 1883). Sua relação com o capital / dinheiro é, realmente, muito admirável. Casou-se com uma mulher rica e afundou-a consigo e seus filhos na miséria. Logo após este percalço, viveu sustentado por Engels (co-autor do manifesto comunista). Sem dúvida, tais fatos revelam um pouco da estrutura psicológica de Marx e a gênese de seu sustento, sempre patrocinado por terceiros (nunca de seu esforço próprio). Vale salientar o fato de ele nunca ter vivido como um dentre os proletários, mas somente os usado como manobra de discurso, assim como ainda é feito hoje pelos seus simpatizantes. Como não esperar que seus seguidores queiram ser sustentados pelo Estado ou por outrem, menos pelos esforços pessoais? Como, após saber disso, não entender as manifestações raivosas contra a meritocracia?

Qual é a solução de Marx contra os capitalistas? Sobre estes, ele disse: “Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa”. Indubitavelmente, deve ser algo livre de egoísmo, preguiça, violência, ambição, escravidão, ganância. No mínimo, a resposta deveria ser outro regime econômico, alheio ao capital. Como isso não foi possível, criou-se uma ideologia: o socialismo. Denominou este socialismo de científico em detrimento do utópico, entretanto, esta definição não será tratada aqui para não estender ainda mais. Karl Marx fará uma teoria para tentar eliminar a desigualdade social. Portanto, quem será o regulador para que todos tenham as mesmas condições sociais? Ora, este deve ser o Estado. Assim, o Estado deve ser tão grande que possa interferir nas individualidades e, inclusive, no mercado.

Na prática, o poder estatal se sobressai tão veementemente que somente os políticos detêm a economia e seu povo padece à mercê de tudo isso. Stalin já dissera: “Converti-me em socialista levado por minha posição social”. Vide, por exemplo, Cuba e China, onde o capitalismo existe, pois o socialismo nunca abolirá o capitalismo, mas trará o mais pervertido possível: o estatal. Como dissera Winston Churchill: “A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição da miséria”. O que se vê e se constata é o seguinte: o socialismo, mesmo com seu discurso de inclusão, não conseguiu gerar riquezas nem mais empregos e, pasmem!, incluir os mais desfavorecidos no mercado de trabalho comparado com o que o capitalismo fez. Com efeito, este proporcionou a reintegração da dimensão social da população com seu regime econômico trazendo à tona sua igualdade de oportunidades e não social, pois considera que, para ser justo, deve tratar todos desigualmente e não igualmente, caso contrário seria injusto. Faz-se necessário destacar, por fim, que o capitalismo não é uma ideia, portanto, é amoral, ou seja, o que é passível de juízo são as pessoas e como elas usam de suas oportunidades para beneficiar ou prejudicar outrem.

Atentar contra a reputação de algo ou alguém é passível de juízo. Talvez o feitiço tenha virado contra o feiticeiro e os marxistas não perceberam ainda o quanto têm denegrido a verdade (se é que acreditam nela!). Goebbels, um socialista, disse: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”; Lênin também deixou sua marca: “Xingue-os do que você é. Acuse-os do que você faz”. Parece que a solução contra o que dizem ser fruto do capitalismo apodreceu no quintal socialista e o fedor fora faraônico. Ao menos que o leitor pense que 100 milhões de mortes não signifiquem nada.

Outra crítica a respeito do capitalismo são aquelas advindas de empresários e/ou artistas. São as mais engraçadas. Houve até mesmo uma declaração de um artista no qual afirmara sua música ser um grito contra o capitalismo. Será? Só se pode acreditar, caso ele não vender, mas doar seus CDs. Acreditarei se ele não cobrar, mas realizar seus shows gratuitamente. Em suma, artistas e empresários cospem no prato que comem quando falam mal do regime econômico que lhes permite ganhar seu sustento.

Um último ponto de urgente atenção – e até mesmo confissão – é a ilusão que a ideia socialista traz aos sonhadores, aos que desejam mudar o mundo. Marx tornou-se profeta de uma fraude. É preciso lê-lo com teor crítico e não piamente. A ilusão socialista de mudar o mundo fora rebatida por Nelson Rodrigues: “Quem não é socialista aos 20 anos, não tem coração; quem continua socialista depois dos 40 anos, não tem cérebro”. Não é uma questão discriminatória etária, afinal, pessoas com 20 anos também têm cérebro. O problema é a facilidade como essa faixa etária é levada pelas ilusões / paixões do momento. Há quem chegará aos 40 e talvez nunca desperte assim como há quem chegará aos 20 e já terá se despertado.

Por fim, despertar é um verbo que nos remete ao início do artigo, à caverna de Platão. Há quem goste da escuridão. Há quem queira matar (ou mate) os que contemplaram a realidade. Contudo, por mais tentativas que se faça de revisionismos históricos, a realidade nunca mudará. Mesmo que a reputação do capitalismo seja ruim, ela continuará cumprindo sua missão de servir a todos os homens, bons e maus, dando a oportunidade a todos de mudarem seu status. Se ainda quiser ficar na escuridão, boa noite!

*David Eduardo Luzetti Filho é professor de Filosofia do Estado de São Paulo

A opinião do autor desse texto não necessariamente remonta à opinião do Estudantes pela Liberdade enquanto instituição ou de todos os seus membros e coordenadores. Portanto, é de livre responsabilidade de seu autor. 


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